Sem médicos cubanos, Sergipe deve perder 94 profissionais

 O anúncio do governo cubano de rompimento da parceria com o Brasil no projeto Mais Médicos terá impacto direto em Sergipe. O Estado conta atualmente com 96 profissionais em mais de 40 cidades.
 O primeiro grupo chegou em 2014. Eles trabalham em todas as regiões sergipanas, mas principalmente nos municípios menores, atendendo a uma população de mais de 607 mil sergipanos.
 Em um texto publicado na internet, o Ministério de Saúde Pública de Cuba disse que “tomou a decisão de não continuar participando do Programa Mais Médicos e assim comunicou à diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa".
 Os médicos receberam um comunicado de que devem voltar para Cuba assim que receberem os tickets de passagem. Diante do aviso, alguns profissionais chegaram a ir para casa durante o dia no aguardo de novas orientações.
 O Programa de Médicos está em andamento desde agosto de 2013 com médicos de diversos países e, desde então, quase 20 mil médicos cubanos já atenderam 113,5 milhões de brasileiros, segundo o governo federal.
 Em diferentes ocasiões durante sua campanha eleitoral, Bolsonaro anunciou que suspenderia esse programa com a OPAS e Cuba e que seu governo contrataria individualmente médicos que desejassem permanecer no Brasil.
 O presidente eleito disse hoje (14) que manterá o programa Mais Médicos e vai substituir os profissionais cubanos por brasileiros ou estrangeiros. Ele afirmou que os cubanos que quiserem atuar no país devem revalidar os respectivos diplomas.
 Bolsonaro acusou o governo cubano de explorar os profissionais e ainda pôs em dúvida a capacidade profissional dos médicos oriundos da ilha. "Em torno de 70% do salário desses médicos é confiscado para a ditadura cubana. E outra coisa, que é um desrespeito com quem recebe o tratamento por parte desses cubanos, não temos qualquer comprovação que eles sejam realmente médicos e estejam aptos a desempenhar sua função", disse.
 Bolsonaro reafirmou a exigência que seu governo fará para manter os médicos cubanos no programa. "Se fizerem o Revalida, salário integral e puderem trazer a família, eu topo continuar o programa."

A Secretaria da Saúde de Sergipe ainda não se manifestou sobre o assunto.

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