Mulheres usam a beleza para cometer estelionato em Sergipe

 Três mulheres bonitas, inteligentes e educadas. Até aí, algo normal. Porém, um gosto incomum as deixam muito próximas: o desejo e a habilidade em aplicar golpes nas pessoas.
 Trata-se de Paloma Vieira de Melo, Yslla Helena Brito Leme e Rita de Cássia Rayanne Santos, esta última, inclusive, já se encontra no Presídio Feminino. Apesar disso, a polícia sergipana ainda procura as outras duas. 
 A forma de agir dessas mulheres traz à tona os perigos em se deixar levar pela aparência. Paloma Vieira, de 33 anos, é o maior exemplo disso. Ela foi a vencedora do Miss Sergipe 2007, representando o município de Nossa Senhora do Socorro.
 Aliás, a cidade de Socorro tem uma ligação especial com a acusada. Até o mês de outubro, ela era nomeada na Secretaria de Meio Ambiente na função de chefe de gabinete. Apesar disso, ao entrar em contato com a Secretaria, o JORNAL DA CIDADE obteve a informação de que ela só trabalhou um mês.
 Em contato com a assessoria de comunicação do município, a informação é de que Paloma teria entrado em licença-maternidade assim que assumiu o cargo e que, ao retornar no mês de outubro, teria sido exonerada.
 Mas, o que Paloma fazia para atrair suas vítimas? De acordo com a polícia, ela utilizava a sua beleza e ostentação para aparentar ter condições financeiras elevadas. Oito boutiques teriam caído no golpe praticado por ela.
 Em uma delas, Paloma chega ao local, escolhe diversas peças, extremamente caras, se dirige ao caixa, e, na hora de pagar, diz ter esquecido o cartão no carro. Pega as compras e diz que vai até o veículo buscar o cartão de crédito. A acusada não retorna mais ao estabelecimento, deixando um prejuízo grande para o proprietário. Essa mesma prática aconteceu em diversos outros comércios.
 “Como elas são de boa aparência, as pessoas não desconfiam. Não se pode confiar em ninguém pela aparência”, ressalta o delegado responsável pelo caso, Everton Santos. 
 Mas, essa não era a única modalidade praticada pela ex-miss. Em janeiro deste ano, ela fez uma vítima através das redes sociais. A jornalista Larissa Souza comprou uma gata persa, que nunca foi entregue por Paloma.
 “Em dezembro, eu vi o anúncio do filhote de gato persa no Instagram dela e entrei em contato. Reservei, pagando uma parte, R$ 180, e ela me disse que em janeiro entregaria o filhote. Em janeiro, paguei a última parcela, de R$ 380, e depois disso ela sumiu. Me bloqueou nas redes, no WhatsApp e não falou mais. Vi um anúncio dela no OLX fazendo propaganda do gatinho que eu já havia pago”, conta a jornalista.
 A esta altura, ela já desconfiava que havia caído em um golpe. “Depois fui atrás e encontrei diversos processos dela por estelionato. Tinha diversas pessoas que foram lesadas por ela, diversos endereços. O nome dela está no Portal da Transparência da Prefeitura de Socorro, mas ela não vai lá. Sumiu! Foi quando fiz o B.O. junto com outra vítima que eu conhecia”, explica Larissa.
 Rita de Cássia e Yslla Helena também agiam de forma parecida. Além de impressionar as vítimas com a beleza, elas também aguçavam a ganância alheia com extratos bancários vultosos, a exemplo de um deles que faz parte do Inquérito Policial, onde elas apresentaram um valor bloqueado em conta de quase R$ 2 milhões. 
 Diferentemente de Paloma, Yslla e Rita agiam, muitas vezes, em conjunto. Um dos golpes prediletos da dupla se dava em torno do aluguel de imóveis de alto padrão. Elas conseguiam fazer com que a vítima acreditasse que estava diante de duas mulheres com muito dinheiro.
 Em seguida, já com a chave do imóvel, elas entravam e passavam cerca de três meses sem pagar, absolutamente, nada. Até sumirem em busca de outra vítima.
 Também há relatos de pessoas que venderam aparelhos celulares e nunca receberam o pagamento, além de golpes em lojas de venda de filhotes de cachorro e roupas de marca.
 Os casos estão sendo investigados pela 1ª Delegacia Metropolitana de Aracaju desde o mês de março. A polícia ainda procurada Paloma e Yslla. Qualquer informação sobre o paradeiro das duas pode ser passada através do Disque Denúncia 181.

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