Situação é de seca grave na maior parte de Sergipe segundo monitoramento

 O estado de Sergipe apresentou situação de seca grave em mais de 50% de toda a faixa oeste, sudoeste e noroeste no último mês de dezembro. É o que revela o relatório divulgado nesta quarta-feira (16) pelo Monitor de Secas – instrumento de acompanhamento regular e periódico da condição da seca no Nordeste, coordenado pela Agência Nacional de Águas (ANA).
 A título comparativo, em novembro do ano passado, a situação era de seca extrema nas mesmas regiões, o que se pode considerar que houve uma sutil atenuação climática em virtude das chuvas que ocorreram em novembro e dezembro na região do semiárido e centro-sul do estado, contribuindo com o abastecimento de açudes e barragens, além da absolvição da água no solo, o que ajuda a agricultura familiar.
 No mapa divulgado pela ANA também é possível perceber condição de seca extrema em parte dos territórios de Nossa Senhora da Glória, Gararu, Porto da Folha, Canhoba, Itabi e Graccho Cardoso. Nesses lugares choveu pouco, ao contrário de Poço Redondo e Canindé de São Francisco, onde choveu três vezes mais, como explica o meteorologista Overland Amaral, da Sala de Situação Clima e Tempo.
 “Sergipe diminuiu um grau. No mês passado estava seca extrema e agora seca grave. Pelas nossas análises, balanços hídricos, análises e índices de vegetação atestamos que houve redução devido todo um comportamento positivo do clima sobre o ambiente, consequentemente diminuiu aquela classe de seca, embora seja grave ainda. É provável que no mês que vem tenhamos uma redução significativa dessa condição de seca ainda mais”, avalia o meteorologista.
 Essa previsão otimista de Overland tem explicação. “A partir de amanhã teremos chuvas com características de trovoadas em toda essa parte que vai de Propriá até Canindé de São Francisco, pegando um trecho do Agreste, justamente abrangendo a faixa que registrou seca extrema no mês passado”, conclui.
Classificação
 A progressão das secas foi classificada pela ANA em seis categorias: “sem seca relativa”, que no mapa aparece em branco; “seca fraca”, em amarelo-claro; “seca moderada”, de cor bege; “seca grave”, em laranja; “seca extrema”, em vermelho, e seca excepcional, em cor vinho.
Conforme esta classificação, Sergipe está dividido em quatro níveis de estiagem: o Litoral apresenta seca fraca; o Agreste, seca moderada; o Médio Sertão, seca extrema; e o Alto Sertão mescla de seca extrema e seca grave.
Situação de emergência
 A Defesa Civil do Estado reconheceu 26 municípios em situação de emergência em virtude dos efeitos da seca que castiga os sertanejos. Desses, três aguardam homologação estadual e cinco aguardam portaria de reconhecimento federal [o que possibilita o recebimento de recursos da Secretaria Nacional de Defesa Civil].
 A Defesa Civil está acompanhando a evolução da estiagem e atua com carros pipas em seis municípios prioritários. A vigência é de 180 dias. A Operação Pipa Estadual e a realizada pelo Exército Brasileiro e atende os municípios de Monte Alegre de Sergipe, Frei Paulo, Porto da Folha, Poço Verde, Pinhão, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da Aparecida, Poço Redondo, Tobias Barreto, Carira e Gararu. Ao todo, cerca de 60 mil pessoas são assistidas, através da água distribuída por 79 caminhões pipa, num cálculo médio de 20 litros por pessoa ao dia.
Monitor de Secas
 O objetivo do Monitor é integrar o conhecimento técnico e científico já existente em diferentes instituições estaduais e federais e estabelecer diferentes graus de severidades da estiagem, permitindo acompanhar a evolução temporal e espacial. As informações são atualizadas mensalmente. O modelo foi baseado no Monitor de Secas dos Estados Unidos, desenvolvido pelo Centro Nacional de Mitigação de Secas dos EUA (NDMC).

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