Com orçamento apertado, Gacc busca construção da sede própria

 Kemilly de apenas 4 aninhos de idade já é uma lutadora pela vida. Moradora do município de Poço Redondo, a 176 km de Aracaju, há sete meses ela enfrenta uma rotina diferente da que se imagina para uma criança. Toda a semana, a matriarca da família, Maria Cláudia, se dedica a sair do alto sertão sergipano para levar a menina ao Grupo de Apoio a Criança com Câncer (Gacc), na capital.
 Em busca da recuperação da saúde da pequena, Kemilly é encaminhada ao hospital em que faz o tratamento contra o câncer e, logo depois, é acolhida na instituição que auxilia as famílias com acompanhamento psicológico, médico, alojamento e até alimentar.
 Atualmente, cerca de 80 meninas e meninos com câncer e anemia falciforme são atendidos, a maioria deles do interior do estado e de outros, como Bahia e Alagoas.
 O primeiro contato com o Gacc foi através do médico que acompanha o caso da menina. Sem esta assistência, segundo Cláudia, o enfrentamento à doença seria muito mais difícil. “Se não fosse o Gacc, não teríamos como fazer esse tratamento aqui, não teríamos onde ficar. O Gacc nos acolhe como se fosse família, é um amor imenso que eles passam para a gente. O tratamento dela está indo muito bem”, comemora a mãe de Kemilly.
 São relatos como esse que fazem a história do Gacc. A entidade completa 20 anos de fundação, com 48 colaboradores e cerca de 100 voluntários que apoiam o tratamento humanizado contra o câncer infanto-juvenil. A instituição lançou, nesta quarta-feira (20), uma marca comemorativa pelos anos de dedicação aos pacientes e campanha de solidariedade para arrecadar recursos.
 Todas as ações demandam recursos financeiros que, segundo a instituição, ainda estão escassos. O principal desafio para os próximos 20 anos é não apenas manter a luta pelo tratamento oncológico humanizado no estado, mas também a construção da sede própria da unidade. Ainda sem verba disponibilizada para erguer a sede, o novo Gacc está em fase da terraplanagem há um mês, mas segue com previsão de conclusão em até dois anos.
 “Precisamos terminar a terraplanagem, pois assim que terminar não podemos demorar a construir para não perder o serviço. O que entra no Gacc é o que sai. Estamos com despesa mensal em pouco mais R$ 100 mil e a tendência é aumentar porque a cada semana e mês chegam mais crianças. É preocupação nossa que a sociedade continue colaborando, que outras passem a colaborar financeiramente. Estamos diante de uma obra de um pouco mais de R$ 3,6 milhões e a gente ainda tem que ter dinheiro para manter o que temos hoje,  são três casas alugadas e toda a assistência”, afirma o assessor Fred Gomes.
A assistência
 Na opinião da instituição, ainda é preciso melhorias por parte do Estado para o tratamento humanizado dos pacientes oncológicos. “Fica difícil fazer oncologia sem remédio, sem exames, em tempo hábil para que o paciente possa ter um tratamento no momento certo e sem interrupções, e sem material humano. Hoje a oncologia está com um grupo de médicos muito pequeno para a demanda que tem”, declara o assessor.
  Na ausência da ação do Estado, segundo Fred, a instituição arregaça as mangas e faz o trabalho de assistência com a compra de medicamentos quimioterápicos, realização de exames de alta complexidade, tipo pet scan e ressonância, através de clínicas particulares da capital, além de oferecer cestas básicas por mês às famílias.
  “A gente visita as famílias nas casas delas para verificar de que forma elas vivem e de que forma podemos ajudar. Quando se trata de humanização não é só hospital e casa de apoio, a gente tem que ir onde ela mora para ver em que condições o paciente vive para a gente tentar melhorar a qualidade de vida dela, para que ela tenha uma maior chance de cura”, completa.
  No site do Gacc você encontra todas as opções de doações para a instituição, seja através de conta bancária, conta de energia, entre outras.

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