Dois sergipanos são presos por envolvimento em roubo de 70 veículos no Pará

 Dois sergipanos foram presos, um em Aracaju (SE), e outro na cidade de Capela (SE), na Operação LOC, deflagrada hoje, 12, pela Delegacia de Polícia Civil de Crimes Organizados do Estado do Pará, para investigar o roubo de veículos de locadoras de carros com a participação do Departamento de Trânsito do Pará e despachantes desse estado.
 Foram recuperados 70 veículos e presas 22 pessoas nesta primeira parte da operação que foi foi deflagrada simultaneamente nas cidades de Imperatriz do Maranhão, Belém do Pará, Maringá, no estado do Paraná, na cidade de Arapiraca, em Alagoas, Riachão do Jacuípe (BA) e em Capela e Aracaju, em Sergipe.
 De acordo com o delegado Kássio Viana, da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos de Sergipe, os carros eram locados em vários estados e com o uso de documentos falsos, levados para o Pará. Com a ação de alguns servidores do Detran/PA e despachantes daquele estado eram vendidos.
 Segundo Kassio Viana, a operação está apenas começando e com a contribuição da polícia paraense, desdobramentos poderão surgir em Sergipe. Os presos em Sergipe foram: Márcio Henrique Santos Fontes e Robervan Cruz dos Santos, que foi secretário, em 2017, de comunicação, turismo e eventos, até ser exonerado para ser em seguida, secretário adjunto de defesa social de Capela. Em ambos os cargos, ele foi exonerado.
 A organização criminosa é acusada, entre outros crimes, de furto qualificado, estelionato, receptação, uso indevido de selo público, falsificação de documento público, falsificação de documento particular, uso de documento falso, inserção de dados falsos em sistema informatizado, corrupção ativa e corrupção passiva, praticados no período de março a julho de 2018, em diversos municípios paraenses e outros estados brasileiros.
 Entenda o golpe – Os alvos do golpe seguiam um perfil definido: automóveis fabricados em 2017 e 2018, quase sempre de alto padrão. Os locatários eram recrutados em estados distintos daquele em que firmavam o contrato, como forma de dificultar as investigações. Após a locação, esses carros eram transferidos para nomes de pessoas físicas, por servidores do Departamento Estado de Trânsito do Pará (Detran/PA) envolvidos no esquema.
 Em seguida, outro servidor inserido no setor de arquivo do Detran/PA desviava os documentos decorrentes das transferências (CRV/CRLV), fornecendo-os a despachantes que, por sua vez, os entregam aos estelionatários responsáveis pela venda dos automóveis.
 Alguns desses veículos ainda passavam por uma segunda transferência antes de serem oferecidos à venda, com o objetivo de fazer constar no CRV, como proprietário anterior, o nome de uma pessoa física em vez de uma locadora, dificultando, desse modo, a detecção da fraude.
 “Com a posse dos automóveis e munidos dos respectivos CRV’s e CRLV’s legítimos mais identidades falsas, em nome das pessoas que figuram como proprietárias nos documentos, os estelionatários do grupo não tinham dificuldades de vender os carros a terceiros, que acabavam pagando valores próximos aos de mercado. Ao final, o lucro obtido era distribuído entre os principais atores dessa rede de delitos. Então o alerta da Polícia Civil ao cidadão é que antes de comprar um veículo, procure o histórico, a linha sucessória dele. É importante saber se ele é originário de locadora e ligar para a locadora para confirmar se de fato ele foi vendido ou se é objeto de fraude”, finalizou o delegado Kássio Viana.

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