SERGIPE TEVE 62 FOCOS DE INCÊNDIO ESTE ANO, APONTA O INPE

 Um problema que devasta a natureza, prejudica a saúde humana e causa profundos impactos ambientais, as queimadas voltaram a se tornar palco de debate nacional e internacional nos últimos dias. Países e organizações se manifestaram diante do aumento de focos de incêndio registrados na floresta tropical da Amazônia – a maior extensão remanescente desse bioma no planeta e que, este ano, corresponde a mais da metade da área total no país destruida pelo fogo. Para além dos danos ao meio ambiente, os malefícios à saúde se verificaram em parte das populações sob impacto da fumaça dos incêndios, com crianças e adultos internados com falta de ar. 
 Em Sergipe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que atualiza diariamente o número de queimadas em todo o país, apontou 62 focos de incêndio do dia primeiro de janeiro a 22 de agosto, sendo no primeiro mês do ano a ocorrência de metade dos casos registrados. Já em fevereiro passado, um incêndio de cinco dias no Parque Nacional da Serra de Itabaiana (foto), no Agreste do estado, devastou mais de 2 mil hectares de Mata Atlântica.
 Apesar disso, este é o menor número de casos dos últimos sete anos para o período. Sergipe figura entre os estados de menor número de queimadas, junto com Amapá (18), Distrito Federal (59), Rio Grande do Norte (65), Alagoas (73) e Paraíba (78). No estado, as queimadas tiveram redução de 16,2% em relação ao mesmo período do ano de 2018, que registrou 74 focos de incêndio. 
 Dados do Programa Queimadas do Inpe, gerados com base em imagens de satélite, porém, retratam uma realidade mais crítica no Brasil, que já ultrapassa a marca nesse quesito de doze países, entre os quais Venezuela e Bolívia. No período de janeiro a 22 de agosto, as queimadas tiveram aumento de 82% - o maior em sete anos -, com predominância de registros no Mato Grosso e no Pará. São 79.513 focos de incêndio em 2019, comparados a 43.678 em 2018.
 No período avaliado este ano, mais da metade das queimadas ocorreu na Amazônia (52,7%) - berço de uma biodiversidade com valor imensurável -, no Cerrado (29,8%), Mata Atlântica (10,6%), Pantanal (3,6%), Caatinga (2,3%) e Pampa (1,1%). Esse cenário adverso – em especial no âmbito da floresta tropical - gerou comoção nacional e, além-fronteiras, uma disparada de críticas da comunidade científica e de líderes políticos de outros países, inclusive acenando concretamente com a possibilidade de levar o Brasil a ser alvo de sanções comerciais (leia mais no editorial “Um tiro no pé do agronegócio brasileiro”).
 O Governo Federal, por sua vez, criou um gabinete de gestão de crise e reafirmou o emprego das Forças Armadas nos Estados que solicitarem ajuda via GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Nesta sexta-feira, em pronunciamento em rede nacional, o presidente Jair Bolsonaro prometeu “tolerância zero” com crimes ambientais, o que talvez apazigue os ânimos do mercado internacional de produtos agropecuários brasileiros, ao menos temporariamente.  
Ciência alerta para riscos desse modelo de desenvolvimento
 A preocupação com “mudanças no uso da terra” – termo correntemente utilizado em estudos sobre o aquecimento global – se reveste de significativo amparo científico. Um relatório divulgado no início do mês pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU), elaborado por 107 cientistas de 52 países, alerta que o modelo de produção agropecuária extensivo praticado nas últimas décadas vem contribuindo para a perda de biodiversidade e de ecossistemas, degradação de solo e aumento das emissões de gases de efeito estufa.
 Uma das questões apontadas no documento é que, ao ser degradada, a terra se torna menos produtiva, limitando o leque de culturas que poderia abarcar e reduzindo sua capacidade de absorver carbono. O processo contribui para as mudanças climáticas que, por sua vez, já respondem com eventos cada vez mais extremos em intensidade de chuvas, de inundações e de períodos de estiagem – uma danosa retroalimentação, já que tais eventos promovem mais degradação no solo e, por consequência, queda em seu potencial de produtividade agrícola. 
 O relatório propõe medidas capazes de aprimorar o uso da terra. Entre elas, consta reduzir o desmatamento de florestas tropicais – o que justifica parte da grita internacional em relação ao estrondoso aumento de queimadas na floresta amazônica. Outros pontos levantados como prioritários pelo IPCC são replantar vegetação nativa para sequestrar e retirar dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e compatibilizar o aumento da produção de alimentos com a sustentabilidade ambiental.
 O número de pessoas que moram em áreas que sofrem de desertificação no mundo aumentou em quase 300% desde 1961, atingindo aproximadamente 500 milhões, entre as quais brasileiros. “O desmatamento da Caatinga e a degradação do solo desse bioma fizeram com que já tenhamos áreas desérticas no semiárido brasileiro, onde a terra é improdutiva, embora registre chuva anual superior a 300 ou 400 milímetros”, disse à Agência Fapesp Humberto Barbosa, pesquisador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (LAPIS) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), que coordenou o capítulo sobre degradação da terra no relatório do IPCC.
Segurança Hídrica
 A oferta de água no Brasil é distribuída de maneira desigual por seu território e, se não forem feitos investimentos em infraestrutura voltados a garantir o abastecimento, 74 milhões de brasileiros podem sofrer com a falta desse recurso natural essencial à vida até o ano de 2035. Essa foi uma das conclusões do relatório temático “Água: biodiversidade, serviços ecossistêmicos e bem-estar humano no Brasil” e de seu respectivo sumário para tomadores de decisão, lançado também no início deste mês de agosto, em Florianópolis (SC), na programação do 15º Congresso Brasileiro de Limnologia [Ciência multidisciplinar que estuda os ecossistemas aquáticos].
 O estudo foi feito em parceria entre a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES, na sigla em inglês) – com apoio do programa Biota da FAPESP – e as universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). E envolveu 17 pesquisadores, de diversas instituições do país.
 “A água é um recurso de suma importância para o Brasil, onde já vemos regiões, como o Sudeste, que têm enfrentado crises hídricas bastante sérias nos últimos anos”, disse à Agência Fapesp Carlos Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da coordenação da BPBES. Segundo o pesquisador, que também coordena o programa Biota/Fapesp, a redução da disponibilidade de água poderá acirrar os conflitos pelo uso desse recurso no país. 
 Conforme o relatório, afora toda a biodiversidade planetária – incluída a espécie humana – dependem de água praticamente todas as atividades econômicas no Brasil, com destaque para a agricultura irrigada e a pecuária, os principais usuários dos recursos hídricos do país, consumindo, respectivamente, por volta de 750 mil e 125 mil litros de água por segundo. Voltando ao cenário atual das queimadas, o estudo mostra ainda que 85% da produção agropecuária nacional – concentrada nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul – depende da água proveniente das chuvas, cuja origem reside, no percentual de cerca de 40%, na evapotranspiração da floresta amazônica. O fenômeno é conhecido como “rios voadores”. “Pela ação da evapotranspiração da árvores sob o sol tropical, a floresta devolve a água da chuva para a atmosfera na forma de vapor de água. Dessa forma, o ar é sempre recarregado com mais umidade, que continua sendo transportada rumo ao oeste para cair novamente como chuva mais adiante”, explica o portal do projeto homônimo, que promove a pesquisa do vapor de água amazônico e a divulgação do seu papel no regime de chuvas em outras regiões do Brasil.
 A equação é simples: desmatar a Amazônia impacta diretamente na oferta de água para as regiões de maior pujança agropecuária no Brasil. E sem esse recurso natural não há colheita nem criação animal possível. Segundo o relatório, estima-se que a cada R$ 1 investido em infraestrutura para a segurança hídrica, mais de R$ 15 são obtidos em benefícios associados à manutenção das distintas atividades produtivas no país.



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