Pequenos produtores do ramo da citricultura estiveram na manhã desta segunda-feira (23), na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) com o objetivo de expor, em audiência pública, os problemas que este segmento da economia rural passa no momento. A iniciativa do debate é do deputado estadual Zezinho Sobral (Pode), e visa discutir e elaborar propostas resolutivas para a captação de recursos que viabilizem o resgate e a valorização da citricultura e fruticultura.
 De acordo com dados do IBGE, no ano de 1991 a produtividade da citricultura era de 25.6 t/ha com produção de 897.000 toneladas. Em 2012, 821.940 e em 2018 a produção era de 354.960 toneladas, uma queda de 470.980 toneladas.
 Em Sergipe, a região citrícola compõe 14 municípios: Arauá, Boquim, Cristinápolis, Estância, Indiaroba, Itabaianinha, Itaporanga, Lagarto, Salgado, Santa Luzia do Itanhy, Pedrinhas, Riachão do Dantas, Tomar do Geru e Umbaúba, com cerca de 400 mil habitantes, que corresponde a um quinto da população estadual, ocupando 25% da superfície total do estado.
Durante a audiência, Aírton de Santana, presidente da Associação Sergipana dos Produtores Rurais (Asserpror), destacou as principais dificuldades que a citricultura vivencia nos dias atuais e cobrou uma solução das autoridades e governo . Para ele, um dos principais entraves é a falta de investimentos e novas tecnologias.
 O presidente da Associação de Mudas Frutíferas do Estado de Sergipe, Danilo Ribeiro dos Santos, também esteve presente e destacou que, atualmente, só existem 10% do setor funcionando e gerando emprego.
 “Existe uma relação dos municípios que ainda estão conseguindo sobreviver, a exemplo de Cristinápolis, Itabaianinha e Umbaúba, mas as piores situações são encontradas na Colônia Treze, em Lagarto e o município de Salgado”, revela.
 Danilo ainda ser preciso melhorar urgentemente a situação dos pequenos agricultores na citricultura de Sergipe. “Para se ter uma ideia, antes eram vendidas um milhão de mudas certificadas e qualificação, por ano e hoje só se consegue vender 200 mil. Eram 46 produtores de mudas, hoje o número reduziu drasticamente porque a produção saiu da mão do pequeno para as mãos do grande, que faz tudo mecanizado e ai sumiu o emprego.
Precisamos colocar o pequeno para produzir porque todo mundo ganha”, entende.
Emdagro
 Na ocasião, o presidente da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), Jefferson Feitosa, ratificou que o setor de citricultura passa por problemas. Segundo ele, 3% do PIB de Sergipe representa cultivo da citricultura, o que beneficia aproximadamente 30 mil agricultores e 8.452 estabelecimentos agropecuários, maioria da base familiar.
 Jefferson destacou que o cenário atual do mercado da laranja de Sergipe concorre com produtos da China, Estados Unidos, Índia, Espanha, Israel, chamando a atenção para as mudanças da cadeia da citrícola nacional na última década: redução mundial do consumo do suco de laranja; novas doenças e pragas que atacam os pomares; diminuição da área colhida em São Paulo, um dos principais fatores do avanço do Greening (5% da produção), e a fragilização econômica dos produtores rurais.
 “A laranja sempre foi a principal cultura do estado, e ainda continua sendo em termo de cultura permanente. Já fomos o segundo produtor de citros do Brasil e hoje passamos a ser o quinto. É preciso que se tenha um olhar diferenciado dos próprios citricultores juntamente com os órgãos do estado”, frisou o diretor da Emdagro.
Carta aberta
 Na oportunidade, foi apresentada a Carta Aberta “Revitalização da Citricultura das Regiões Sul e Centro-sul do estado”, como resultado do debate e das demandas levantadas pelos representantes dos municípios da região. A carta foi elaborada por meio de reuniões multi-institucionais com técnicos e produtores da Seagri, Mapa, Embrapa, Emdagro, UFS, Sebrae, Superintendência do Banco do Nordeste, Dnocs e Secretaria Municipal da Agricultura de Umbaúba.

AJN1

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