O maior desafio dos artesãos e artesãs sergipanos tem sido a venda dos produtos. Para superar essa dificuldade, o Projeto Dom Távora realizou para seus beneficiários oficinas sobre “Comercialização para Planos de Negócios de Artesanato”, através de parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e o programa Semear Internacional. Até agora, 177 beneficiários do projeto Dom Távora já receberam capacitações, que trazem informações sobre noções de mercado, precificação, apresentação de produtos e um novo canal de comercialização: as mídias sociais.
 A capacitação já chegou para os profissionais dos municípios de Aquidabã (bordado em ponto de cruz), Tobias Barreto (bordado Richelieu), Neópolis (artesanato em palha), Poço Verde (tecelagem costura), Pacatuba (artesanato em palha), Santana do São Francisco (artesanato em barro e madeira) e Graccho Cardoso (confecção). A próxima oficina acontecerá dia 26 de setembro, no povoado Amargosa, em Tobias Barreto.
 Segundo o coordenador do componente Desenvolvimento de Capacidades do projeto Dom Távora, Manoel Messias, a primeira capacitação foi feita no mês de junho pelo Semear Internacional, instituição apoiada pelo FIDA. “Assumimos a responsabilidade de replicar as oficinas para um maior número de artesãos, com o apoio de técnicos locais da Emdagro e consultores do Programa das Nações Unidas (PNUD). Oferecemos para as comunidades subsídios teóricos e práticos sobre comercialização, pois entendemos que não basta fortalecer a parte produtiva com apoio financeiro, é preciso fortalecer também a capacidade de comercialização”, disse Messias.
A coordenadora do programa Semear Internacional, Fabiana Dumont, conta que a parceria com o Dom Távora tem levado grande suporte ao artesanato em Sergipe, proporcionando conhecimento para as artesãs. “Trabalhamos sobre tudo relacionado aos produtos, estratégias de acesso ao mercado, formação de preço, análise de mercado e trabalhar um pouco a percepção de análise com elas, para avaliar se aquele custo é viável ou não, e também como aproveitar as mídias sociais para poder comercializar e divulgar o seu produto artesanal”, pontuou.
Identidade Cultural e Valorização
 O jovem Daniel Elias, filho da bordadeira Elisandra Barreto, destacou a importância da oficina para compreender o artesanato como identidade local e para fazer divulgação em plataformas digitais. “Achei a oficina bem proveitosa e sei que nos ajudará na confecção e comercialização de nossos produtos. Aprendemos que a criação de uma identidade nossa vai fazer grande diferença em nossas vendas, e aprendemos também que o ponto de partida hoje são as redes sociais. Como já tenho facilidade com a internet, vou ajudar nesse sentido”, ressaltou Elias, de Tobias Barreto.
 De acordo com a artesã de Neópolis, Maria José Santos, através dessas oficinas, ela aprendeu a falar sobre o próprio produto e a lidar com clientes. “A gente já comercializava antes do projeto Dom Távora chegar. Trabalhávamos com artesanato de palha em produtos variados, e também com biscuit e cabaças. Quando o projeto chegou, incluímos outros tipos de trabalho artesanal, como pintura e crochet. O Dom Távora só veio agregar e melhorar o nosso trabalho”, informou.
 Também a artesã de Poço Verde, Renilda Maria dos Santos, declarou que a chegada do projeto proporcionou a evolução do seu trabalho. “Nós viemos desde 1990 lutando para manter viva nossa cultura, nossa tradição, que é uma história que vem dos antepassados. Hoje, temos o privilégio de sermos beneficiadas pelo Dom Távora. Aproveito para agradecer, pois foi um programa que veio na hora certa, com uma proposta diferenciada de ouvir o que a gente deseja, os nossos anseios e nossas demandas, respeitando as nossas culturas. Todo cidadão que compra uma peça de artesanato, leva também a história e a cultura de um povo”.
 “Na oficina aprendi que temos de calcular todos os gastos para não ter prejuízo na confecção do artesanato, ou seja, valorizar nosso produto, que é feito com qualidade. Outra coisa que gostei muito de compreender é que temos que divulgar mais o Richelieu com nossa própria identidade para que as pessoas saibam de onde vem, já que existem outras comunidades que também fazem esse mesmo bordado. Foi um aprendizado muito rico e vai abrir portas para a comercialização”, avaliou a artesã Adriana Rodrigues Alves, de Tobias Barreto.
 A consultora do PNUD, Amarize Cavalcante, falou sobre os resultados das oficinas e destacou que as capacitações foram dirigidas para um representante de cada comunidade e replicadas pelos técnicos sergipanos. “Os conhecimentos repassados possibilitaram aos participantes o entendimento da necessidade de calcular custos de produção bem como a identidade cultural dos produtos para o processo de comercialização. Um diferencial importante está no fato de que os representantes que participaram da oficina oferecida pela Semear Internacional, em suas comunidades, foram facilitadores da aprendizagem junto às equipes técnicas das unidades gestoras do Projeto Dom Távora”, explicou.
 O projeto Dom Távora, executado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), é fruto de uma parceria entre o Governo de Sergipe e o FIDA, a fim de dar assistência técnica e capacitar beneficiários, fortalecendo as organizações de produção, da transformação e da comercialização, para agregar valor aos produtos e serviços. O Projeto atende a 15 municípios do estado localizados nos seguintes territórios: Centro Sul – Tobias Barreto, Poço Verde e Simão Dias; Território Agreste Central e Médio Sertão – Pinhão, Nossa Senhora Aparecida, Carira, Graccho Cardoso e Aquidabã; Território do Baixo São Francisco – Japoatã, Santana do São Francisco, Ilha das Flores, Pacatuba, Brejo Grande, Neópolis e Canhoba.

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