Reunidos em frente ao  Palácio Governador  Augusto Franco, em Aracaju, servidores do Hospital Regional de Nossa Senhora da Glória e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) oficializaram o início dos atos públicos contrários ao projeto de contratação de uma empresa privada. A perspectiva por parte do Governo do Estado é que ainda nesse primeiro semestre de 2020 o grupo empresarial inicie o processo operacional da unidade hospitalar e do próprio Samu. Com o apoio de centrais sindicais, grupos de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, psicólogos, fisioterapeutas, farmacêuticos e assistente sociais promoveram a mobilização unificada como forma de pressionar o governador Belivaldo Chagas (PSD), a dialogar com a classe trabalhadora.
 Conforme protestado pelos servidores, um edital com livre concorrência foi elaborado e lançado pelo poder executivo estadual, porém, sem nenhum diálogo prévio com os profissionais do Estado que trabalham nesses setores. A Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), lamentou que, além do governador, o secretário de estado da Saúde, Valberto de Oliveira Lima, bem como os membros do Conselho Estadual de Saúde, se mostraram parciais às mudanças e buscaram minimizar qualquer tipo de diálogo administrativo com as partes diretamente envolvidas no processo. Essas mudanças passaram a ser debatidas internamente após uma cúpula do governo estadual sergipano ter realizado uma visita de cortesia ao estado de Santa Catarina. O Estado contrapõe aos argumentos dos servidores.
Por meio de nota o Governo de Sergipe informou que a Secretária de Estado da Saúde lançou edital de concorrência pública para gestão compartilhada do Samu no dia 3 de fevereiro, com o objetivo de modernizar a gestão, melhorar o atendimento ao público e diminuir o tempo de resposta. No ponto em que se refere ao diálogo com os trabalhadores, a SES declarou que tem se reunido constantemente com os sindicatos para tirar dúvidas, bem como tem deixado claro que os empregos públicos serão mantidos e que o diálogo permanece aberto. Sobre o Hospital Regional de Nossa Senhora da Glória, a pasta declarou que ainda não há nada definido sobre o seu futuro administrativo.
 Ainda sobre esse assunto, na manhã de ontem a Secretaria da Saúde disse ao JORNAL DO DIA que atualmente estudos para verificar a viabilidade de uma gestão compartilhada na unidade estão, de fato, sendo realizados, mas sem data prevista para oficializar a decisão do governo. Segundo a enfermeira do Samu, Gerana Leitão, é preciso que o governador Belivaldo Chagas 'abra as portas do gabinete' e se reúna com os servidores com o propósito de ouvir os seus pleitos. "A equipe [SES] vai até Santa Catarina, que não está sequer na região Nordeste, possui uma situação e vivência totalmente oposta da nossa, e decide implantar um projeto que supostamente deu certo pelas bandas de lá, mas que não há nenhuma garantia que vai dar certo por aqui", avaliou.
 No que se refere ao impacto a ser vivenciado pela classe trabalhadora em caso de terceirização administrativa, os servidores reforçaram as críticas no sentido de que centenas de profissionais terão que ser remanejados para outros pontos de atendimento. Atualmente mais de dois mil trabalhadores atuam no Samu e no hospital. "No Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, no geral, são quase dois mil profissionais; anda tem o pessoal que prestou concurso para o Hospital de Glória e que, por questões constitucionais, não podem prestar serviços para as empresas terceirizadas. É uma verdadeira falta de atenção, compromisso e respeito com os sergipanos que atuam nesses locais. Esperamos que o governador nos ouça e determine o arquivamento desse edital amplamente contestado pelos profissionais da saúde", concluiu.
 Novos atos - Presente na mobilização, a presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Sergipe, Shirley Morales, garantiu que os trabalhadores permanecerão lutando pelos respectivos pleitos enquanto a assessoria jurídica do sindicato deve acionar o poder judiciário regional para recorrer da decisão do Conselho Estadual de Saúde. "Percebe-se que quase a totalidade dos serviços de saúde pública já são terceirizados para uma empresa pública de direito privado que é a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS). Foi assinado ano passado contrato com validade de cinco anos, ou seja, o Governo está 'quarteirizando' o mesmo serviço sem revogar contrato anterior porque a revogação do contrato anterior traria problemas porque os servidores são concursados. Esse assunto continuará sendo protestado nas ruas e na justiça", avisou.

Milton Alves Júnior




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