Parafraseando um grande sucesso de Forró do grupo Os Três do Nordeste, “é proibido cochilar” na consulta do médico Thiago Tejo.
 Ele faz parte de uma equipe que realiza visita a pacientes acamados em Tobias Barreto (SE). Em uma das visitas, ficou sabendo que seu Rosalvo era doido por Forró e que inclusive era pandeirista.
 Então, ele como médico e bom sanfoneiro, resolveu fazer uma surpresa musical para seu Rosalvo e acabou emocionando todo mundo.
 “Em uma das visitas domiciliares ao seu Rosalvo, alguém da equipe comentou que o médico tocava sanfona. Seus olhos se encheram de lágrimas. Fui informado disso e quando fui visitá-lo comentei que tocava sanfona e coloquei um vídeo meu tocando no celular para que ele pudesse ouvir e mais lágrimas desceram”, explicou o médico.
 Foi então que ele decidiu levar o instrumento na visita seguinte. No vídeo que registrou esse momento, Thiago pergunta se o paciente quer ouvir uma música e ele pisca os olhos para dizer que sim.
 Quando o médico sanfoneiro puxa o fole, seu Rosalvo começa a movimentar os dedos como se estivesse tocando pandeiro. É mágico de se ver.

 “Ao levarmos a sanfona, não tinha como ser diferente. Ele chorou. Chorou muito. Chorei. Nossa equipe se emocionou. Acredito, inclusive, que aquele dia, aquele momento no qual comecei a tocar, foi simplesmente o ápice da minha vida como médico. Poderia dizer até que foi um dos ápices da minha vida como pessoa. Nunca fui tão feliz quanto naquele momento. Foi emocionante, diferenciado. Foi algo que transcende o entendimento humano”.
Uau!
 Com o resultado tão positivo da surpresa para o paciente, toda a equipe do programa “Melhor em Casa” de Tobias Barreto decidiu fazer o mesmo com os outros pacientes como forma de alegrá-los. Com isso, nasceu o Arraial do Melhor em Casa.
 Os profissionais se vestiram a caráter, como roupas típicas de festa junina, arrumaram outros instrumentos e saíram fazendo festa de casa em casa de cada paciente. Foi uma alegria só. Agora me diz se tem remédio melhor do que um forrozinho na porta de casa…
Equipe de saúde fez até roupa junina padronizada para o grupo. Foto: Reprodução/Instagram @melhoremcasatobias
 “Um de nossos pacientes (Dênis, de 5 anos, morou a vida toda em hospital) e bateu palmas pela primeira vez (desafio antigo de nossa fisioterapeuta, trabalhando movimentos das mãos dele). Entre outras situações. Foi muita emoção nesse dia”, relatou o médico.
Dá só uma olhada na festa que eles fizeram com cada paciente:

Médico se dedica ao atendimento humanizado com populações carentes
 Seu Rosalvo mora em um povoado a uma hora de distância de Tobias Barreto. E é esse desafio, de atender populações distantes e carentes, que move o médico Thiago Tejo.
Depois de se formar na Universidade Federal do Acre, ele passou a atuar no estado. Uma das primeiras ações foi implantar o “Forró dos Idosos” em unidades básicas de saúde de Rio Branco.
 Depois passou a integrar o Exército Brasileiro e começou a atender indígenas e ribeirinhos.
 “Pegar uma ‘voadeira’ floresta amazônica adentro, pelo rio Môa, 6 horas fisicamente desconfortável, e encontrar uma população que te espera quase que religiosamente, gente que precisa de atendimento, porém viu um médico há 2, 3, 10 anos, não tem preço”, disse.
Thiago trabalhou atendendo indígenas e ribeirinhos na Amazônia. Foto: Arquivo pessoal
 Voltando à Paraíba, ele foi trabalhar em um quilombo de descendentes de escravos numa região rural bem distante, a Caiana dos Crioulos. “Povo a quem eu tenho o maior respeito, admiração e consideração. É um povo que amo, povo guerreiro demais. Fui muito feliz lá”, relembrou.
 Hoje ele está no programa Melhor em Casa, que tem tudo a ver com o perfil dele. “Eu respiro SUS. Eu acredito plenamente no atendimento humanizado por incluir um item importante para o tratamento (do corpo e da alma): EMPATIA”, disse.
 “A história de minha vida como médico se mistura com a de sanfoneiro”
 O médico Thiago Tejo é da cidade de Campina Grande, terra do Maior São João do Mundo. Então, não dava pra o mês de junho passar em branco, né? “Aprendi a tocar sanfona durante a faculdade, principalmente por morar longe de casa, a saudade bateu”, disse. 
Thiago incorporou a sanfona nas visitas aos pacientes como terapia. Foto: Reprodução/Instagram @melhoremcasatobias
 Morando no Acre, ele arrumou uma sanfona emprestada e não quis mais devolver, acredita? Informou ao amigo que dissesse o preço que a sanfona agora era dele. “Quando a coloquei em meus braços, foi paixão à primeira vista”, disse.

 Thiago formou um trio de Forró com outros estudantes de medicina e não parou mais.
“A Sanfona pra mim significa meu porto-seguro. Posso voltar arrebentado de um plantão às 7 horas da manhã, tendo perdido, inclusive, pacientes. Porém ao tocá-la, entro em um estado de espírito inexplicável. É uma terapia que se tornou inerente à minha existência”, avaliou.
 Agora ele disse que a sanfona virou instrumento de trabalho, vai acompanhá-lo em mais visitas aos pacientes. “A música tem poder de cura. Cura da alma!

Então, puxa o fole, Thiago!!!!!


Fonte: razoesparaacreditar.com

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